sábado, 6 de agosto de 2011

AMOR QUE NÃO SE MEDE!

Minha avó talvez não meça nem 1,5m de altura. Com certeza, ela pesa menos de 40kg. Mesmo assim, me pergunto, como, tão pequenina, ela consegue emanar tanto amor, alegria e verdade. Ontem, ela completou 84 primaveras, e me deu de presente um dia inteiro de boas gargalhadas, de abraços, e beijos magrelos e sinceros...
Desde o amanhecer, rolou de tudo um pouco. Como ela tinha chegado na noite de quinta, tomamos café juntos na sexta, e ela não parou de reclamar que o voo tinha sido horrível, porque tinha vindo do Rio, parado em Belém, pra só depois chegar em Macapá (detalhe: esse é o voo mais rápido). No almoço, ela deveria ter comido um frango grelhado, mas teimou comigo, e comeu um monte de suflê. Como eu sei que ela adora sorvete, convidei-a para irmos até a sorveteria. De pronto, ela aceitou. Moço, milho verde e ameixa pra vovó, por favor!
Mais tarde, minha irmãzinha disse que foi acordada por ela, que dizia: "minha filha, o Julinho acabou com o meu aniversário! Tô com uma dor de barriga desgraçada!". Depois de tomar um puxão de orelha da mamãe, seguimos para a festa. No caminho, minha vó vinha excomungando a Gol, que, segundo ela, só serviu PIPOCA, no voo de Belém pra cá. Mas que diabos? PIPOCA?? Vó, eu nunca vi servirem PIPOCA no avião. Depois ela disse que era batata frita, ou cheetos. Na verdade, nós desconfiamos que era amendoim! Haha!
Depois dos parabéns, ela discursou, riu e chorou, emocionando a todos nós. De repente, me veio um turbilhão de lembranças, como quando ela me dizia que o Jaspion nunca ia morrer, por mais difícil que a situação estivesse. Ou todas as vezes que ela se acabou de rir, me contando que eu matei um pintinho, jogando ele pra cima, e gritando: "avua, Pinto!". Olho pra ela, pra cada ruga, cada sinal, e recordo todos os momentos que tive ao seu lado. Todo amor que ela me fez, e ainda me faz sentir, todos os dias. Por isso, sempre tento não pensar em quando ela vai nos deixar, porque, com toda a certeza do mundo, amor como o dela, mesmo vivendo outras mil vidas, nunca mais vou encontrar.   ;~

6 comentários:

  1. Que lindoooo ! chorei ...
    :**

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  2. De verdade? Sem palavras.
    A Vó Santa é linda!
    Nunca esqueço da musiquinha que ela cantava quando já estava voltando ora casa.
    "vou embora, vou embora. De segunda para Terça. Quem não me conhece chora e dirá quem me quer bem"
    Ela é sensacional!


    Nívea Dias

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  3. Adoreiiiii! Vou ler sempre!

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  4. Amei o texto. Sempre leio todos e esse, sem dúvida, foi um dos mais lindos :*

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  5. Que lindo, Julinho. :õ) Perdi minha avó recentemente e esses momentos REALMENTE são únicos. Sua avó deve ser linda. Me emocionei. Beijão.

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  6. Juliiinho! Tu realmente consegue emocionar com as tuas palavras! Adorei! Curta muiiiito a sua avó, pq elas são sagradas! Não existe amor igual, mesmo.

    Beijoooo!!

    Luciana Calandrine

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