Há menos de 10 dias, foi realizada no Amapá uma pesquisa de intenção de votos para o governo e senado. O resultado, apesar de completamente diferente das pesquisas anteriores, era totalmente aceitável, afinal, a Polícia Federal havia recolhido um ônibus lotado com os maiores figurões de nosso Estado.
Quando vi, embasbaquei. Caramba! Era óbvio que eu imaginava que os candidatos corruptos e sem vergonha perderiam muitos votos. No entanto, a queda foi catastrófica. O tombo de Pedro Paulo, que caiu do terceiro para quarto lugar, não me surpreendeu, porque quem nasce morto, de morto não passará! Mas o que você me diz da queda de Waldez? De primeiro lugar absoluto, a um quarto lugar insignificante. Alguém esperava? Acho que nem os mais crentes no eleitorado tucuju esperavam tal reação.
Assim como eu, muitos mudaram seus votos, e mostraram, da única forma que podiam, o repúdio pela vergonha que políticos desonestos nos fizeram passar. Parabéns, Amapá! Pensei.
E ontem? Ontem percebi que tudo aquilo era bom demais pra ser verdade! Quando saí do trabalho, encontrei um mudaréu de gente nas proximidades do aeroporto. Beleza! Estão protestando, imaginei. E a realidade me deu um tapa na cara, como se dissesse: "acorda, otário!". E então percebi que aquela era uma manifestação de apoio. De um lado, Pedro Paulo abanava uma indefesa e maculada bandeira do Amapá, e de outro, Waldez chorava emocionado. Lágrimas que, nem de longe, se assemelhavam às das mães que perderam seus filhos por culpa dos desvios de verbas da saúde, ou daquelas que não chegarão a ver os filhos alfabetizados, mesmo passando dias nas filas de matrícula, porque nas escolas nem merenda tem. Muito menos, de pais desesperados que, com os salários atrasados, não tem como dar de comer às suas famílias. Isso sim é digno de pena! E não o choro de um ex-governador corrupto, com cara de cachorro pidão!
Depois do que vi ontem, tomei um remédio para enjoo e fui deitar, já descrente na justiça dos homens. E advinhem o que aconteceu? Do nada, surgiu um barulho estrondoso! Mas não parecia ser de apoio, pelo contrário, era algo enfurecido! Alguém protestava, e não se tratava de qualquer um. De dentro do meu quarto, eu senti medo. Faço idéia do que sentiu quem estava desabrigado. De repente, de uma linda tarde de sol, fez-se uma tempestade que varreu das ruas aquela cambada de desavergonhados.
E assim, os brados Daquele lá de cima ecoaram pelas terras de cá, mostrando a todos nós que, mesmo que os homens fechem seus olhos, Deus manterá os seus sempre bem abertos! ;D

